Cálculos de Bexiga e Cistos Renais – a História de Paloma e Tânia


  Paloma                                                    A Tânia,  personagem real desse caso clinico que vou contar para vocês, é minha cliente há muitos anos, talvez uns 15 anos. Comecei atendendo o Alemão, um Canarinho que ela cuidava com amor e dedicação. Nessa época eu nada entendia de aves, mas fui buscando apoio com um colega – Boher – que era Médico Veterinário do Zoológico de Sapucaia do Sul , na grande Porto Alegre.  Aprendi algumas coisas e fui dando essa assistência ao pássaro dela. Mas foi somente para ela – por insistência dela – que cuidei de pássaros engaiolados. No meu entender eles são de Deus e da natureza que os acolhe com tanta categoria. Não tolero mais ver um pássaro cativo de um coração humano. Coração egoista.

Mas a Tânia não tem um coração egoista, tem, sim,  muitas dificuldades emocionais de apegos e necessidades afetivas. Como qualquer ser humano tem. Uns mais outros menos. Cada um com sua história particular de vida e de como lidar com as variadas manifestações emocionais/sentimentais que são inerentes ao ser humano.  E esse ponto deve ser levado em conta sempre que vamos atender um animal de estimação: as reações sentimentais dos proprietários. E é dificil ver um colega se envolvendo ( no sentido de preparo para lidar com emoções humanas e identificá-las) com o dono do animal. O que mais fazem é o lado social de tratar o seu cliente.  Ser amigável é obrigação de todos aqueles que oferecem uma prestação de serviço, mas entender um coração humano que vem por detrás de um bicho poucos fazem na Medicina Veterinária. E entender esse coração não é compactuar com o dono no quesito o que ele “exige”, mas dar o apoio e condições dele ver o que somente nós, os Veterinários, porque estudamos para isso, podemos ver.

Hoje a Tânia é proprietária da Paloma uma Bichon Frisé de 8 anos de idade. Depois do Alemão, da morte dele,  ela aparece no meu consultório com uma cachorrinha no colo. Olhei bem para as duas e pensei:  “A Tânia com cachorro…e essa raça ainda… “. Mas a recebi com meu jeito entre carinhoso e realista que trago na vida. Expliquei bem a diferença de ter um pássaro em gaiola e de ter um cão para cuidar.  Já sabendo mais sobre o estilo dela, a incentivei, mas trouxe explicações de tudo que ela tinha que mudar no estilo de vida para cuidar legal da Paloma.

Ela é uma pessoa com um apartamento para lá de charmoso e bem arrumado, e isso era uma situação a ser colocada, pois bicho não senta e cruza as pernas a espera do que quer. Ele age como bicho. Mas foi fácil  para a Tânia ir entendendo isso tudo. Paloma cresceu educada – condicionada – a ter o canto dela na área de serviço. Tem sua cama e seu cantinho onde urina e defeca. Rompeu – e rompe –  muitas vezes esse limite. Mas mesmo com condicionamentos padrões que são reforçados diariamente,  os cães –  e gatos também - não são máquinas. Há outros estimulos que os fazem reagir, podendo oportunizar que eles manifestem atitudes comportamentais que saem dos condicionamentos aprendidos.

Paloma e suas lesões dermatológicas  Uma das minhas “brigas” com a Tânia eram os banhos e tosas higiências que ela submetia a Paloma, que já tinha uma predisposição a desenvolver quadros de alergias múltiplas. Quem tem essa raça quer a todo custo que tenham pêlos enormes, desenhados a tesoura. Querem bibêlos e não cães. E quem paga o custo disso é o bicho, podem crer. Em inúmeras conversas pós atendimento que fazia com a Paloma, deixava bem claro isso tudo para a proprietária dela. Noventa por cento das consultas da Paloma eram de causas dermatológicas. Mas vencemos,  e bem,  essas fases. Mantemos a Paloma com uma tosa padrão, com pêlos baixos. E, praticamente, sem os probelmas dermatológicos que eram frequentes nela. Isso se somou ao fato de que a Tânia entendeu como manejar os tratamentos – dos comportamentais aos farmacológicos – para a cachorra dela.

 Como falei acima,  essa cachorrinha que é minha paciente desde sua infância e hoje entra no seu processo de auge da maturidade - como regra geral os cães começam a envelhecer a partir desse marco etário: 8 anos – veio apresentar cálculos vesicais ( bexiga). Isso ocorreu em meados de Julho de 2010. Eu não estava mais morando em Porto Alegre e,  por certo, a Tânia não se deu conta de trocar uma idéia comigo sobre a situação que a Paloma passava.  Em Novembro do ano que passou, fui à Porto Alegre e avisei alguns clientes que estaria atendendo em domicilio e ofereci para ela uma consulta para a Paloma. Sempre brinco com meus clientes: “Quer que eu dê uma passada com meus olhos sobre teu bicho? Estou indo a Porto Alegre.” E foi assim que procedi com a Tãnia, que de pronto agendou um horário, o último da minha estada em Porto Alegre. Naquela noite eu já embarcaria de volta. E nada me falou do que a Paloma havia passado, portanto, pensei que seria uma consulta de rotina.

Ao chegar para a consulta me deparo com a Tânia triste, abatida e insegura. Nos abraçamos,  por longo tempo sem nos vermos,  e logo a Paloma apareceu para me “cumprimentar”. Olhei para ela e disse: “ Credo! Como a Paloma emagreceu!” Comparando com a última vez que a tinha visto, 1 ano e meio atrás.  E Tãnia respondeu: ” Agora, depois que adoeceu, porque antes estava bem mais gorda”.    E dali por diante a Tânia começou a discorrer sobre a situação que a Paloma estava e havia passado. Ouvia tudo atenta e sempre de olho nas reações da Paloma. Embora ela me obedecesse muito, e sempre se mantinha em postura de submissão, mas naquele dia a percebi abatida demais.

Logo veio a Tânia com uma “tonelada” de exames.  Rxs, ecografias, exames bioquimicos, receitas , remédios,  que só me restou olhar para aquela quantidade de papel e resmungar: “Mas que monte de exames…e está meio confuso isso tudo..” mas o confuso era porque estavam todos misturados, foram feitos vários em datas diferentes. Fui tentando entender a sequência deles, os laudos, as imagens. Até porque cada exame tinha um profissional por trás, não eram os mesmos. E isso, às vezes, pode atrapalhar o clinico. Principalmente, aquele que se baseia apenas nos laudos e não nas imagens, quando de Rx ou ecografia. Olhei imagem por imagem e tirei um parecer prévio e lógico do que via e de tudo que ela relatava.

Com esse jeito de ser sincero fui curta  e clara:  “Pelos exames que tenho em mãos e pelos sintomas atuais que relatas é grave  a situação dela, Tânia. Paloma tinha no momento da consulta comigo sinais de: perda de peso, inapetência, polidipsia, poliúria ( polidipsia= aumento da sede e poliúria = aumento do volume urinário. Que pode ter várias causas e dimensões) e um discreto sopro cardiaco. Ao auscultar seus pulmões achei tudo em ordem. Mas os exames de imagem e seus respectivos laudos davam um alerta de gravidade: Rins com cistos, que  até ai tudo certo,  é comum termos esses achados e não comprometeram a vida do animal. Mas em um dos laudos aparecia o dado que me preocupou: cistos com formato irregular em suas margens. Geralmente, nódulos com conteúdo cistico são benignos e tem suas bordas bem lisas. Mas a impressão computadorizada dessa eco não me deixava uma certeza do que via. O que eu via eram muitas calcificações renais. Além disso,  o colega que estava atendendo a Paloma trazia como suspeita problemas renais,  e já estava aprofundando os exames para o foco de IRC. Mas , ao mesmo tempo, pelos exames de dosagem de creatinina e o EQU ( exame  quantitativo de urina)  não davam essas pistas. Mas como uma Insuficiência Renal Crôncia tem suas fases que vão alterando esses parâmetros bioquimicos conforme a perda de néfrons ( estrutura anatômica renal responsável pela capacidade de filtração e regulagem como um todo do funcionamento dos rins) não desvalorizei tal suspeita, ao contrário, fiquei alerta e preocupada.

Perguntei mais dados sobre o fato dela estar tomando muita água e urinando muito, a ponto de ter sintoma de noctúria que é quando o animal libera urina quando em sono ou descanso. Insisti em tirar suspeita de Diabetes, mas as dosagens de glicoses que foram feitas davam dentro dos padrões normais. Perguntei  sobre a cirurgia que ela tinha passado de retirada de um cálculos da bexiga – o que era bem visivel em uma das ecos. Tudo tinha corrido bem, segundo a Tãnia. E que a Paloma estava comendo ração para controle do ph uirnário ja fazia 4 meses…

Quando ela me trouxe esse dado, passei a raciocinar de forma diferente sobre toda a história clinica atual da Paloma. Eram muitos dados e eu tinha que formular muitas perguntas sobre a vida da Paloma a partir da cirurgia, o que fui fazendo. Foram 3 horas de consulta, sem que eu esperasse que precisaria desse tempo. Evidente,- que em meio a isso tudo a Tãnia me contava sobre a vida dela eu sobre a minha, enfim, muitos clientes ficaram amigos,   a Tânia um deles. Com isso fui fazendo a receita clinica da Paloma. Mantive a medicação para o coração que o colega havia prescrito. Da minha parte prescrevi Vitamina do Complexo B, um antibiótico,  pois tudo indicava uma dor vesical nela naquele momento,  e não quis vacilar e nem teria tempo de fazer exames. Mudei a alimentação que passou a ser feita em casa para ela – cortei toda e qualquer ração para a Paloma. E pedi para dar soro oral por uns dias. Caminhar e oportunizar contato social mais amplo para um cão feito a Paloma que vive em apartamento. E para desfocar a angústia que a Tânia, claramente, mostrava. Ela tem consciência de que é uma pessoa ansiosa e eu sempre trabalhava com esse dado quando a Paloma adoecia. Acalmava a propreitária e passava segurança.

 Eu precisava ir embora, pois viajaria dentro de duas horas, já que a Paloma era minha última paciente desses 5 dias que permaneci em Porto Alegre atendendo, e não sabia dessa complicação toda que a cercava, senão teria sido a primeria da agenda para poder ter tido tempo de refazer alguns exames. Mas combinei com a Tânia que manteríamos contato por msn e iria providenciar mais tarde, com o decorrer dos dias, exames que eu julgaria necessário,  e com colegas com quem trabalhei anos e anos, obtendo uma “equipe” de minha confiança. Nos despedimos e tive a certeza que deixei a Tãnia mais confiante, embora o diagnóstico, até então,  “assutador” que eu mesma aventei para a Paloma,  baseada nos exames feitos. Pedi que ela me remetesse por e-mail todos os exames para eu poder analisar melhor e com calma…

Quando recebi os exames fiquei horas analisando cada um deles e organizando por ordem de tempo.  Os dois primeiros exames feitos foram uma ecografia e um EQU ( exame quantitativo de urina). A ecografia acusava presença evidente de um cálculo vesical ( bexiga), tendo os outros órgãos abdominais, incluindo os rins sem alterações. O exame de urina deixava claro um processo infeccioso,  entre outros achados, mas que devem ser analisados sempre sobre a forma de coleta dessa urina, que no caso foi por cistocentese ( punção direta da bexiga) por isso não valorizei a presença de eritrócitos ( células sanguineas). Mas o importante é que era claro que aquela amostra de urina da Paloma indicava doença oriunda do sistema urinário. E segui pensando :  Paloma foi submetida a cirurgia para retirada do cálculo. Tudo ocorrendo bem segundo o relato da Tânia. E começou a comer ração para controle do ph urinário com o objetivo de acidificar essa urina. Depois de 3 semanas foi pedido pelo colega uma outra ecografia ( não ficou claro para mim o motivo, não sei se a Paloma apresentava alguma alteração clinica no seu estado, creio que sim) ecografia essa agora feita por outro profissional que identificou cistite e cicatriz da parede vesical - pela cirurgia anteriormente feita -  além de  cistos renais com bordos irregulares, calcificações renais, alterações hepáticas, discreta alteração da vesicula biliar ( lama biliar) e uma gastrite leve.  Aqui foi o ponto que me chamou muito a atenção:  Na primeira ecografia feita nada disso aparecia como alterações, apenas o cálculo. 

Segui analisando os exames e pensei o porque dessas alterações hepáticas, biliares e renais num curto espaço de tempo pós cirurgia.  Medicamentos? Pode ser, mas a Tãnia apenas me relatou uso de antibióticos e uma medicação para Insuficiência Cardiaca Congestiva, que de fato o Rx acusava, mas leve. Mas,  mesmo assim,  tais medicamentos não dariam todas essas reações colaterias, salvo uma gastrite…

Nessse mesmo dia da segunda ecografia – 28/07 – foi coletada sangue da Paloma que acusou aumento de colesterol e triglicerídeo – esse bem aumentado. E uma discreto aumento nas proteinas totais e na albumina, mas como ela estava tomando medicação para o coração que tem uma leve ação diurética poderia ser essa a causa, ou poderia estar num processo bem leve de desidratação, o que seria lógico de se pensar, pois ela já estava com o quadro de aumento da sede e da excreção de urina em excesso. Mas e os triglicerídios e o colesterol por que estavam em niveis altos? Fiquei a me perguntar isso…

Essa segunda  eco já alertava de presença de lama biliar , órgão esse que fica sobrecarregado com gordura em excesso no organismo….E segui pensando e analisando outros exames que foram sendo feitos em sequência variáveis de dias. Repetiram creatina, uréia, dosaram fosfatase alcalina, glicose e tudo dava sempre dentro de padrões normais.

Possivelmente, os sintomas  que Paloma apresentava eram por causa das alterações que envolviam figado, vesicula biliar, gastrite, bexiga , e quem sabe, até mesmo renais - porque não me senti segura com as imagens que via,  pela rapidez que se desenvolveram as calcificações e cistos.  

 E segui na linha de raciocinio de que podia estar  frente a um quadro renal na Paloma, já que haviam solicitado  outros exames onde mediram novamente colesterol que deu em faixa normal e houve uma diminuição dos Triglicerídeos, mas permaneciam altos ainda. O resto da bioquimica que já citei acima continuavam  dentro de seus padrões normais. Porém, alguns dias depois foi sugerido pelo colega que a atendia  aprofundar os exames para a Insuficiência Renal Crônica, onde a Tânia decide não fazer…

E Paloma seguia inapetente, apática, com muita sede, eliminando urina na mesma proporção em que ingeria água, com aspecto de magra, pelagem sem brilho, olhos opacos. Assim ela se encontrava quando cheguei para atendê-la, conforme introdução que fiz nesse texto.

Conforme  também relatei acima no texto,  fiz a minha prescrição médica baseado no que eu via de sintomas fisicos nela: desidratação leve, sem apetite, e um desconforto na bexiga…E tive que  examinar com calma todos os exames já feitos e tentar achar uma linha de racicionio para tudo aquilo. Com isso mantinha contato quase que diário diário com  a Tânia, formulando mais perguntas sobre  a Paloma e suas reações, para fechar esse circulo que estava a situação da Paloma.

Comecei a perguntar como estava o apetite com a retirada da ração e com a entrada da comida caseira, comida essa   condizente com a situação alimentar que o organismo dela necessitava naquela fase, é óbvio. Se os passeios com ela conforme eu havia deixado prescrito estavam indo bem, sobre urina,  fezes,  se  estava tomando o Complexo B , enfim, queria saber da evolução do quadro dela.

Paloma foi melhorando, reagiu, comia com gosto a comida dela ( bem variada no quesito proteina animal), diminuiu a sede excessiva, a urina em volume voltando ao normal…

Estive lá atendendo a Paloma por finalzinho de Novembro, hoje é Janeiro , quando conto esse caso clinico, portanto,  deixei ela reagir, acalmei a Tânia, e disse que faria uma ecografia abdominal com um colega com quem trabalhei junto por muitos anos, tendo ambos uma sintonia para trabalhar, um elo  de confiança. Mas que ela não ficasse ansiosa,  que eu saberia dizer quando faríamos, que precisaria haver melhoras fisicas na Paloma para fazer uma eco em relação de tempo da última que tinha sido feita.

Dia 17 de Dezembro o Dr. José Eduardo Maciel fez a ecografia que eu solicitei para a Paloma, e encontra o  figado dentro dos padrões já normais, vesicula biliar bem, sem gastrite,  com um cisto renal, e algumas calcificações no rim direito e esquerdo. Me confirmou que isso não era preocupante, que era comum de se encontrar em rins, sem maiores prejuizos ao funcionamento dos mesmos. E percebeu discreta cistite e sedimento urinário depositado no fundo da bexiga. Que deviamos apenas controlar com algumas ecografias, talvez a cada 3 meses.

Eu entendi, raciocionei, analisei , pesquisei e acho que pode ter sido a ração que foi prescrita para controle do ph urinário que trouxe uma sobrecarga orgânica sobre ela. Levando a todo esse processo de mal estar que ela vinha passando. Ela é uma ração muito gordurosa, com muito sal, com acidificantes urinários, com milho, etc. Ração com muita gordura traz palatibilidade e o animal come mais. E segundo a Tânia, a Paloma comeu a valer. O excesso de sal provoca sede, por sua vez o animal toma mais àgua e redunda em aumento da excreção urinária. Tudo isso fechava com os sinais clinicos e laboratorias que a Paloma apresentou.  E com a sequência das ecos deu para perceber alguns danos em alguns órgãos ligados ao sistema digestivo, depois de ter começado a comer essa ração, que controla cálculos de estruvita.  E seria de estruvita o cálculo retirado da bexiga da Paloma? Nos exames dela não tem esse laudo, e seria um exame fundamental para poder fazer o manejo alimentar para controle do ph urinário.

E por ai fui pensando e tentando achar a causa real daquelas alterações hepáticas, biliares e renais. E sobre o cálculo renal que ela retirou da bexiga. Paloma continua com sedimento urinário…

A análise de que tipo de cálculo tem o paciente – seja de estruvita ou de oxalato de cálcio – é de fundamental importância para  que possamos prescrever uma ração que tenha a intenção de prevenir tais cálculos vesicais.  Por exemplo, se o paciente tem cálculo de oxalato e não de estruvita, e se prescreverem a ração para controle da estruvita, redundará em mais formação de oxalato.  Outro dado é que se for associado a essa acidificação uma baixa de magnésio nessa ração, e a ingestão excessiva de sal – que ela contém –  esse somatórios acabam contribuindo ainda mais para o aumento de tais cálculos de oxalatos. E por pesquisa e estatistica sabe-se que os cálculos de oxalato aos dias de hoje começaram a ganhar uma incidência maior do que tinham antes, já que alguns anos atrás o mais comum eram os de estruvita.  Isso é um dado que deve ser relevado em casos de cálculos vesicais.  Outro ponto importante é que não é apenas por um pH mais alcalino da urina que podemos nos basear quando é um cálculo vesical por estruvita. Ph urinário em presença de pedras na bexiga,  geralmente,  está associado com inflamação e depois infecção, que por sua vez podem alcalinizar essa urina.

Pois então, qual seria o cálculo que a Paloma apresentou ? Eis a questão.

Mas Paloma segue bem, esperta, comendo a comida dela  que agora é de forma  natural, mais lógica, sem tornar uma rigidez de controle de ph. Manter na média. Fará outro dosagem de triglicerideos dentro de mais algumas semanas, um EQU de urina básico e terei mais ideia do estado geral dela dentro desses parâmetros laboratorias.

Tânia segue melhor em relação a Paloma, está  mais segura, aprendendo que a paciência precisa ser exercitada, que a ansiedade consome o dono e o cão. Ela é bonissima gente, elegante e sincera, esse é o perfil da Tãnia, minha cliente que entrou no rol dos amigos suvaes que a profissão me trouxe.

Moral da história:  A ansiedade da parte dos proprietários e  a ansiedade profissional do Veterinário prejudica bicho de estimação.

 Paciência para resolver os casos clinicos, prescrever com cautela e baseado no conhecimento das ações das terapêuticas usadas.

Entender mais o comportamento de um cão e de sentimento humano. Raciocinar. Elaborar questionamentos. Estudar. Entender. Gostar da pureza dos animais. Equilibrar. Personalizar o atendimento por diversidade de emoções  dos donos ( particularidades) e por diferenças ambientais que afetam o comportamento e temperamento do cão.

 E o mais bonito de tudo: trocar experiências de vida e de profissão.  É gostar de ser médico de bicho com toda sua animalidade pungente. É não ser médico de bicho agindo como médico humano, suas diferenças prevalecem nas condutas que podem e devem ser aplicadas. Ao homem o que é do homem, ao bicho o que é de bicho, como diz o ditado.

Segue anexo exames.

Pirmeira  ecografiapaloma 040      Segunda ecografia da Paloma                                               terceira ecografia da Paloma

 

 

 

 

 

Exame de Urina     Paloma 28.07.doc Exames bioquimicos    Paloma 28 07.doc dosagens bioquimicas

Exames dosagens bioquimicas Paloma Novembro de 2010   463517    laudo Palona Dra Synara

Até o próximo caso clinico.

12 Comentários


Tania Azambuja
em

Synara,parabéns pelo artigo escrito.Perfeito,sincero e super profissional como sempre.
Agradeço a voce todo carinho e profissionalismo que voce nos dedica.
grande bj.
Tânia e paloma.



synara
em

Oi Tânia. Obrigada pelas palavras de incentivo.
Abraços.
Synara



vera
em

Olá Dra Synara,

Belo post, como só vc que : consegue detalhar algo tão clinico e nos levar por um “passeio” a reflexão sobre nós e nossos apegos tão humanos.

A Tânia, a vejo em alguns áspectos fazendo escolhas, como tive que fazer muitas: Uma casa planejada para ser charmosa, arrumada, confortável…e a casa de 8 gatos que “acorda” com xixi em alguns cantinhos (demarcação com certeza de tantos felinos convivendo juntos) sofás com entranhas à mostra, pés arranhados…e por ai vai….e não penso que posso faze-los “entender’ meu desanimo diante de tanta bagunça.

E assim nosso amor pelos bichanos e o desprendimento pelo material que se faz necessário.

Muito obrigada sempre por partilhar experiências suas e de clientes com causos especiais, é um estímulo pra minha correção de conduta, aprendizado tbém de tantas coisas.

Bjos
Vera



synara
em

Oi Vera. Grata sempre pelas palavras de incentivo e pelas participações no site. Recebi teu e-mail. Bom saber que está tudo bem com vocês depois da enxurrada de Teresópolis.
Cortam em tiras mal talhadas a terra, dá no que está dando…O ser humano no seu âmago mais profundo possivel, deve rever valores – e urgente; a natureza, por ser ciclica é rápida, tanto para morrer como para se regenerar. Mãos à obra que há tempo ainda. Reformule-se e liberte-se. E tudo viverá em paz.Nós e a natureza em harmonia. Eu ainda creio.
Sorte por ai.
Abraços!
Synara



Juliana Coelho
em

Dra.Synara, Parabéns pelo caso!

Este caso mostra o quanto é apaixonante clinicar.
Beijos
Juliana



Synara
em

Oi Juliana. Bom tê-la por aqui de novo. Realmente, clinicar é uma delicia, buscar causas, aventar ou confirmar diagnósticos, analisar o paciente como um todo, o dono, o ambiente… Eu curto fazer isso na profissão. Tenho certeza que tu também, colega. Obrigada pela palavras de incentivo que sempre deixas por aqui.
Abraço.
Synara Rillo
Médica Veterinária



Maria Angélica Lopes Mendes
em

Lendo todos os seuscasos fico me perguntando o porquê de tantos equívocos cometidos e lamentando não poder tê-la como vet dos meus animais. TEnho um gato muito gordo (9kg) que achei na rua (estava magérrimo) com uma bicheira numa das patas dianteiras, que acabou sendo amputada. Também tinha uns ferimentos. que feitos os exames detectou esporotricose. Foi tratado co itraconazol e melhorou. Levei-o para casa e tempos depois começou a ter uma tosse seca. Exames realizados, cardiologista, concluiu que se tratava de problema cardíaco. Passou a usar Lotensin e cardizem. só que de vez em quando a esporo retornava. Ele vive separado dos outros gatos. Levei a outro veterinário que então pediu testagem para FIV/FELV. Deu positivo para a Aids felina e negativo para a leucemia. Desde esta data (julho/2010) ele vem tomando interferon e Vudirax. Parece bem. Faz exames regulares para verificar se rins e fígado estão bem. Como vi que estes testes nem sempre são totalmente confiáveis, comecei a pensar: E se meu bichinho não tiver esta doença e estiver tomando à toa estes medicamentos? Por favor, me dê a sua opinião. Há mesmo possibilidade dele não ter aids? obrigada. Marioa Angélica L. Mendes



Laura
em

Synara,
Cada vez que leio um artigo seu, mais agradeço a Deus a oportunidade de ter conhecido a sua pessoa e o seu competente e diferenciado trabalho.
Quem dera existissem mais profissionais desse quilate, com certeza teríamos animais muito mais sadios e proprietários muito mais consciententes e felizes.
A você, todo o meu respeito e admiração.
Grande abraço,
Laura



Synara
em

Oi Laura. Valeu pelas palavras e participação.
Abraço!
Synara



Synara
em

OI Maria Angélica. Poder pode, sim. Mas tens que conversar com os profissinais que atendem ele…eu nesse caso não tenho como ajudar.
Abraço fraterno
Synara Rillo
Médica veterinária



marli avelino groscke
em

Acabei de ler o quadro clinico da Paloma.E fico feliz de saber que ela esta indo bem com a alimentação natural,se recuperando,também ia propor isso ao veterinário. Mas ele não concordou. Não sei se seria o mesmo caso da minha pequenina July ( da raça Maltês) que acabei de perde-la dia 18/07/2011,vendo seu carinho e atenção para com a Tânia peço, me de apenas algumas explicações para acalmar meu coração que dói muito diante desta perda. O veterinário que a acompanhava solicitou o exame de urina em primeiro momento em 27/11/2010, fígado, baço,rins dentro dos parâmentros normais, vesìcula biliar repleta de conteúdo anecogênico espessura normal da parede e vesícula urinária em repleção adequada,com conteúdo anecogênico em suspensão e presença de imagem ovalada, hiperecóicoa, formadora de sombra acústica, medindo aproximadamente 1.3 cm de diâmetro (litíase). Foi operada, o cálculo é de cor cinza diferente dos cálculos de cor branca. Seria esse cálculo de Oxalato? O segundo exame foi dia 24/06/2011,pois após a cirurgia ela ficou ótima, brincava, corria atrás do meu filho e do meu neto com ciúmes de mim, mas aí, começou tudo de novo,o exame de urina apresentou ph 6,0 o mesmo do primeiro exame, raras bactérias,de resto dentro do normal, no ultra-som fígado, rim, baço normal, vesícula biliar e vesícula urinária conteúdo anecogênico e incontáveis pontos ecogênicos.Diante desse relatório, que o veterinário nem teve tempo de ver pois o óbito veio antes, ele disse que nada poderia ser feito a não ser mudar a ração para mais forte. July estava comendo a ração da Hill Science diet adulto maduro +7. Este final de semana foi terrível para minha pequenina July. Ela sofreu muito, bebia muita água; urinar, não muito;comer, comia bem.Minha filha a achou na porta da escola, um dia a noite, mais ou menos a 6 anos atrás, sua dentição era horrível, diante de tantos problemas que ela apresentava, nunca consegui tratar de seus dentes,mas era o meu próximo passo.Na época que minha filha a achou o veterinário disse que ela poderia ser louca,disse um monte de coisas, sua idade poderia ser de mais ou menos 4 anos então poderia estar com 10 anos no mínimo. No sábado vendo seu desespero e não podendo fazer nada pois July já tinha tomada um antibiótico,diz o médico, fortíssimo,que duraria por 20 dias seu efeito fiquei com medo de medicá-la por conta. Mas vendo na internet que o bicarbonato de sódio

era bom para cistite que era o quadro clínico dela, coloquei em sua água ( 1 colher de chá para 1/2 de água ) ela bebeu metade.
Mas nada aliviava seu sofrimento, andava pela casa toda, de cabeça baixa, rabo baixo, sempre pelos cantos e não dormia, parecia que ficava assim a noite inteira. Foi aí que meu marido disse ” dê Dramin a ela” , fiquei com medo, mas demos 8 gotas.Isso tudo eu não disse ao médico, fiquei com medo.No domingo July chorou muito no meu peito, fiquei com ela e a levei para dormir comigo, não a deixei neste momento de tanta dor. Na madrugada meu marido a levou para sua caminha e do jeito que ele a colocou, ele a encontrou desfalecida, sem vida no dia seguinte, corpo rígido, sem vida. Mas quando a encontrei já embrulhada no jornal, porque meu marido (ele acorda para ir ao trabalho por volta de 7:30 hs da manhã) não queria que eu a encontrasse daquele jeito, desembrulhei, mas somente suas patas traseiras estavam rígidas, barriguinha não tão dura,o resto do corpo parecia normal a cabeça até pendia para o lado, seus pelos não estavam gelados,fiquei com ela desfalecida no meu peito até mais ou menos 2 horas e meia, cheguei a por um estetoscópio ( idéia do meu filho de 8 anos Luca )em seu peito para ouvir seu coração, para ver se ela realmente estava morta, porque parecia dormir com a língua de fora, tentei abrir sua boca mas não consegui, foi quando decidi que teria que enterrá-la. Quando voltei para pegar seu corpo, ainda continuava mole, não estava por completo gelado,só as patas traseiras continuava rígidas, as dianteiras até dobrava, seu tronco,sua cabeça penderam para o lado, me dá até medo de lembrar disso e só de pensar que ela poderia estar viva me dá um nó, aperto no coração.Mas, quando eu a peguei no colo,o cocô pequeno, que estava no seu anús tinha entrado e começou a sair em gás terrível, meu filho até saiu para fora, e ví que não podia mais adiar o que tinha de ser feito, seu velório.Minha pergunta é : Porque seu corpo não estava rígido pois já vi outra cachorinha minha morrer e levou 2 horas para seu corpo todo ficar gélido, frio, rígido, pelos gelados. A July não ficou assim. Responda-me, por favor. Fale-me do cálculo. Gostaria de no futuro ter uma outra maltês, mas saudável, poder cuidar melhor com mais conhecimentos. Desde já, muito obrigada.



Synara
em

Bah, que chato..me passou o último comentário feito já há dois anos..Coisas do site e as vezes do acumulo…Desculpas bem tardias,Marli.
Abraço fraterno
Synara Rillo
Médica Veterinária


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