A Medicina Veterinária em nova realidade – Consultorias


Entrevista para o site - Novembro de 2010 049        Entrevista para SW PRODUÇÕES  pelo Diretor de Produções e Execução: W. Argolon.

W. Argolon:  “A minha primeira pergunta não poderia deixar de ser em querer saber: Por onde andas? Deixaste Porto Alegre há 1 ano,  é isso mesmo, Synara?”

   Synara:  “Eu ando por ai. Sempre na ativa. Mas deixei Porto Alegre, sim . Fechei as atividades mais práticas na profissão. Não tenho mais consultório estabelecido. Hoje estou aplicando uma parte mais teórica nas minhas propostas e projetos – metas que pretendo atingir para poder registrar meus pensares sobre a minha vivência na profissão.”

W. Argolon. ” Isso dos pensares sobre a tua profissão, por certo, te referes aos livros…?

    Synara: ” Eles sãos os veículos principais, evidente. É deixar registrado um ponto de vista que se diferencia do padrão comum no que se refere ao atendimento do bem estar animal das espécies canina e felina. Mas o site, os artigos para revistas, as palestras fazem parte dessas metas que comentei acima. Mas tudo tem e terá seu tempo…Mas estou em ação.”

                                        Entrevista para o site - Novembro de 2010 047         W. Argolon: ” Tenho aqui comigo o teu livro “Cães, Donos e Dores Humanas“,  já lançado  – metas sendo atingidas como te referes. E teu livro pertuba - quem te ler com atenção e disposição – e faz pensar. Qual tua intenção maior com ele. O Cão ou o Dono?”

Synara: ” Boa pergunta…sei lá…mas pelo que se desenhou no contexto todo,  do que eu experienciava  quando lidando com as emoções sentimentais que vinham dos donos, te diria que minha preocupação maior é dar uma mensagem mais direcionada ao ser humano. E o cão está no meio dessa preocupação, mas de uma forma mais realista dele como animal. Quebro ilusões de donos e trago a realidade social do  mundo pet.  A pertubação que causa meu livro, como dizes,  Argo, talvez,  esteja nesse ponto de dar a real e levantar as neuroses humanas como precipitadoras de maus tratos indiretos ou de um falso bem estar aos cães. E o pensar que meu livro possa oportunizar ao leitor, vem da abordagem  mercantilista que a área de pequenos animais vem ganhando dentro da profissão de Médico Veterinário.

Entrevista para o site - Novembro de 2010 058 W. Argolon: ” O mundo pet te pertuba, Synara?”

Synara: ” O Mundo Pet não me pertuba, me deixa indignada, isso , sim. O que me pertuba é a falta de conhecimento amplo, geral e irrestrito sobre os cães e gatos onde redunda em falso bem estar deles. Pertuba no sentido de preocupação, veja bem.”

W. Argolon:  “Mais competência nesse meio, te referes a isso?”

Synara:  “Sim, a competência do estudo e da ética . Mas a ética da consciência , não somente a das regras formuladas pelos Conselhos que nos regem. Devemos respeitá-las, mas discuti-las, da mesma forma. Mas os colegas mais acatam as decisões do que abordam questões como profissionais da Medicina Veterinária com condiçoes de opinar. Eles não levantam as questões dessas regras, eles apenas votam sobre o pensar de um grupo.

W. Argolon:  “E teus outros livros, Synara, a quantas andam?”

      Entrevista para o site - Novembro de 2010 051                                           Synara: “Pois é…estão surgindo….em processo de escrita, colocar a idéia no papel, mesmo. Mas meu ritmo não está acelerado nisso em face de todas as outras metas que se misturam e interligam com a escrita dos livros. Mas virão. Logo..logo.”

W. Argolon:  “São mais dois, é isso?”

Synara: ” Sim. Um mais simples, com  explicações dos comportamentos reacionais dos cães. Denominei-o : “Da Natureza dos Cães”. Me cansa um pouco mais para colocar no papel, é uma escrita mais explicativa ; sem tom de manual, veja bem; mas com um perfil legal sobre a real dos instintos dos cães. O outro é meu grande livro ( para mim esse sentimento de grandeza), ele é especial, ele é leve, ele é sério pela mensagem e estou bem misturada no contexto dele como ser humano e como profissional. Está sendo melhor para trabalhar; tem muita coisa sendo elaborada em situações que surgem ainda e isso torna-se  dinâmico e instigante enquanto o elaboro”

W. Argolon: ” Retorno à atividade de consultório virá novamente?

Synara: ” Não sei ainda…mesmo! Precisei – preciso –  de um distanciamento para rever essa questão. E me permiti  isso, apenas. Mas atuo ainda, mas hoje apenas com orientaçõe e consultorias por contato on-line. Forma de oferecer meu conhecimento. Colocá-lo no mercado, digamos assim.”

W. Argolon:  “Para colegas?”

  Entrevista para o site - Novembro de 2010 052                                               Synara: ” Para eles e para os donos de animais. Com abordagens bem diferentes a consultoria. Penso que profissionais novos estão chegando a cada dia para atuar em Clinica Médica de Cães e Gatos, e coloco à disposição meu conhecimento de longos anos de experiência para os orientar em seus casos clinicos. Para os donos foco mais para orientações, explicações, tirar dúvidas que muitos deles têm sobre as doenças de seus animais. Entro com meu jeito de ver o caso do animal e atuo muito na prevenção – muitas vezes controles de doenças por simples manejos comportamentais e alguma orientação farmacológica, evidente. Qause uma consulta, mas com limitações virtuais inerentes.”

W. Argolon: ” Vendes conhecimento, nesse momento da tua vida, então?

Synara: ” É….boa classificação para minhas atuais atividades…E soa menos mercantilista no sentido de consumo sem sentido, né? Gostei, Argolon! Vendo meu conhecimento com as consultorias, isso ai. Depois de 25 anos de profissão e das minhas observações sobre ela creio que tenho um pouquito para dividir.”

W. Argolon: “ Quais as doenças predominantes aos dias de hoje nessas espécies?

Synara: ” Problemas dermatológicos – mas tendo como causa fundamental erros de manejos comportamental,  banhos em excesso,  algumas tosas sem sentido, um somatório de fatores estressante aos animais que acabam estourando na pele. Outro é o sintoma convulsão. Por multiplos fatores: raça, baixa sanidade ambiental onde podem adquirir viroses quando filhotes ( canis e outros), repressão instintiva, doenças hereditárias/congênitas,  uma saturação mental do cérebro desses animais que vivem com condicionamentos exagerados. E existem ainda muitos casos relacionadas ao aparelho reprodutivo das fêmeas - onde passo a recomendar a castração; por tudo, pelo convivo sócio comportamental com os donos, porque tem cão demais no mundo resultando no abandono e na superpopulação, vários motivos e argumentos. Nos felinos tenho observado alta incidência de doenças hepáticas Me faz pensar sobre várias causas. E há várias etiologias para esse distúrbio funcional do figado em felinos, mas deixo em aberto observações sobre as rações. A industrialização imposta , inevitavelmente,  pela aspecto conservação é uma delas . Mas penso que o aspecto nutricional , da mesma forma, altera as vias metabólicas naturais dos gatos. Tem muito amido ( milho) nas rações atualmente. Eles são essencialmente carnivoros. Tem que ser respeitado isso.  Doenças iatrogênicas nos gatos também percebo muito. Os colegas precisam se dedicar mais para essa espécie, eles diferem do cão em manejos, na farmacologia, no comportamento e isso tudo pode levar a danos – doenças - quando eles são mal analisados e tratados.”

W. Argolon: ” Por tudo que relatas em breves colocações sobre as doenças mais atuais que atinge os cães e gatos, você conseguer enxergar uma recuperação verdadeira – para não dizer preservação – da harmonia sanitária e comportamental de tais espécies?

Synara: ” É o que espero, do fundo do meu coração, Argo. Mas é preciso a  tomada de consciência, o descomprometimento com as ilusões – sejam elas para acalmar os donos ou diminuir o consumismo – e a competência por meio do amor à profissão e aos bichos, esse é o caminho mais certo para eles adoecerem menos.”

W. Argolon:  “Bom, precisamos encerrar essa entrevista, diga algo como registro, uma frase, algo teu que queira dizer …

Synara: ” Obrigada. E estou à disposição, para todos. Dos donos aos colegas.  Mas com um amor verdadeiro aos cães e gatos, como compromisso de proteção animal.

W. Argolon: ” Já que falas de proteção animal, não posso deixar de te perguntar, agora: e ela como vai?

Entrevista para o site - Novembro de 2010 062Synara: ” Bah……essa pergunta… sobre esse ponto não falo mais; não por meio de entrevista. É amplo, é delicado , é ponto de profundas discussões. Qualquer coisa que eu colocar aqui agora pode soar confuso para quem tenta me ler.

W. Argolon: ” Obrigada, querida, valeu pelo teu tempo…

Synara: ” Por nada.”

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