Meu ambiente e dia a dia com meus cães e gatos…acontece de tudo!


imagem-030.jpgMorar e dividir uma rotina ambiental com vários gatos e dois cães, seja por que motivo for, é uma das experiências da vida que nos exige paciência, muito despreendimento material e tempo à dispor.

E por vezes, somando tudo o que trás de crueza a vida animal, é profundamente cansativo a um ser humano em rotina ambiental. Muitas vezes me pergunto o verdadeiro porquê dessa minha escolha de vida. Será amor aos animais na forma do incondicional? Será compaixão a um grupo de ser vivo que habitam o movimento social humano? Será para poder falar deles e neles com mais “autoridade” de quem viveu em grupo social tão junto a eles?

É justamente em fases de grande cansaço que me faço esses questionamentos todos. E estou, por inúmeras situações, em um misto de cansaço e numa fase que preciso processar alguns dados sobre minhas pesquisas com eles. E ai preciso de concentração para escrever e com isso acabo oportunizando a eles que fiquem mais à vontade no grupo social; quase que perco o comando mais rigoroso que estabeleço com eles para trazer esse “reino animal” em potencial de cadência com o meu universo de ser humano.

Toda a comunicação direta deles em resposta ao ambiente os fazem dermarcar território tanto com fezes, tanto quanto com urina. Primeiro, por que eles são em bom número, entre machos, fêmeas, filhotões , adultos e um idoso – o Nicolau Antônio – que já tem história aqui nos “causos da Veterinária”- outra por que há uma demanda significativa de outros animais entrando no nosso ambiente por causa do consultório, o que os estimula a reforçarem suas identidades ambientais, posso dizer assim. Meus objetos passam a ser alvo direto deles por que muitos gatos adultos do grupo tentam estabelecer o maior vinculo possivel comigo por que sou verdadeiramente a provedora do grupo social; toda, ou quase toda, sensação de bem estar vem através de mim; sou a super “gata” no ambiente e, junto, uma chefe de matilha para meus cães, tudo ao mesmo tempo.

Pois ontem bem no final do dia depois de algumas atividades rotineiras de consultório achei por bem escrever um pouco sobre o livro em que falo sobre eles, os gatos. Na hora pensei: “Preciso acalmar esses gatos…” E uma das formas é dar uma refeição rica em proteina animal – o que fiz – a outra é oferecer conforto e calor para um sono com máxima satisfação pelo alimento. E como estamos no inverno aqui no sul – inverno este de chuva e muito frio – decide acender a estufa por algum tempo, por que isso os atrai para suas camas que estão disposta na sala de espera do consultório.

A estufa estava desligada perto da parede. Como de costume a peguei e fui ligar o plug na tomada. Sem problema, a resistência começou a ficar a vermelhada. Só que em segundos começou um barulho similar a fritura : zzziiissizisssssssssssssss e levantou uma fumaceira espessa e com um cheiro sufocante, era um misto de cheiro adocicado e acre ao mesmo tempo; como eu estava bem próxima à estufa praticamente aspirei aquela fumaça que me fez tossir. Em segundos do fato não conseguia entender o que acontecia na estufa, a primeira coisa que imaginei foi um curto circuito e imediatamente desliguei da tomada o que então foi diminuíndo o barulho de fritura zzziissssisiis e consegui perceber que o que eu aspirava junto com o ar era amônia – meus gatos urinaram a estufa inteira! Desde a resistência até o fundo em aluminio que se transformou em uma chapa quente e rapidamente vaporizou urina por todo o ambiente! Rapidamente abri todas as janelas e portas para formar corrente de ar com o objetivo de dispersão da fumaça e do cheiro. Meus gatos que estavam próximos a estufa, é claro, deram um salto pelo susto do barulho, mas logo começaram a sentar pela sala, com as cabeças erguidas, a fazerem olfação e tentando definir o por que de tão forte odor de urina no ambiente.

Não demorou muito e ouvi o guarda da rua a me chamar: Dotora, Dotora! Algum problema ai?? Está saindo fumaça pela janela com um cheiro muito estranho e forte!!

Fiquei num misto de sem jeito e de mal estar por que sou muito cuidadosa com a higiene dos meus gatos e cães, que acabei dando uma desculpa das mais “esfarrapadas” possiveis, mas que poderia fazer nosso guarda noturno até acreditar…ou não! Pensei que o pudesse convencer por que ele me “admira e me acompanha” nessa jornada com minhas pesquisas sobre comportamento animal. Se ele acreditou, até agora não sei. E por sua discrição tende a não tocar mais no assunto. Ele tem muito respeito por mim e comigo.

Bom , mais ai depois do chamado dele, disse como desculpa: ” Oi! Boa noite…nada não..não se preocupe…estou testando um produto na forma de “incenso” para estimular a olfação dos gatos!! e acho que derramei muito o óleo! ” e ele: “Imaginei que fosse alguma coisa assim..mesmo.. mas estranhei a fumaceira….vá que deu um curto na sua casa! Mas é meio forte o cheiro, dotora! Será que eles vão gostar? E eu tossindo em meio a conversa…vão sim…até já estão mais calmos!E ele que tem sempre uma essa frase pronta quando me vê em função com meus bichos se despediu assim: ” Tudo pelo bem da ciência!! E depois não entendem a senhora…uma pessoa da ciência! E eu: ” É verdade…é verdade…mas desculpe o cheiro ai!” E ele: ” já tá passando Dotora! Boa noite!”

E voltei para dentro muito braba! Queria “trucidar” meus gatos “michadores”. O cheiro custou a sair e tive que permancer com a casa toda aberta por mais de uma hora, chovendo e um frio danado! E ainda permancer alerta para ver se o cheiro não iria estimular a que começassem a marcar território…acabei não escrevendo meu trabalho…e fui dormir. Mas creio que por ser odor de urina deles próprios e na forma de vapor onde não houve a fixação em algum local não houve tal estimulo. Ainda bem!

Vale um alerta: todos meus gatos, tanto machos e fêmeas são castrados. Mas os gatos castrados quando vivem em um grupo social onde precisam comunicar-se mais genuinamente, vão usar a marcação odorifica atravé da urina e das fezes, imagem-067.jpg sendo urina com maior frequência. E esse ato é proprocional a alterações bruscas no ambiente e/ou pendências sociais entre eles.

Tudo pelos animais e seu bem estar! Mas nós humanos verdadeiramente não somos capazes de dimensionar essa forma de comunicação e é dificil essa convivência. Mas não é impossivel. Mas que necessitamos de um grande despreendimento para a vida, isso sim é fato, incontestável.

3 Comentários


mariângela
em

Oi Sinara!
Lendo seu causo da estufa, fiquei intrigada, porque pensei que gatos machos castrados não marcassem território.
O Amim manda lembranças!



Synara
em

Ola Mariangela! quanto tempo! Pois marcam sim, acontece que o borrifamento de urina é muito mais frequente no macho não castrado pois precisa fazer elos de comunicação mais evidentes para afirmar bem seu território e que está ali p a espera da fêmaa em cio para poder fixar sua genética.

Tanto os cães quanto os gatos usam , e muito, suas excreções para fins de comunicação e fixação do ambiente ( torná-lo sempre mais familiar possivel), portanto quando eles vivem em um grupo social grande, que é nosso caso aqui, tendem, mesmo castrados, a marcarem seu território. Embora castrados eles disputam a hierarquia social; dentro do meu grupo social de felinos tenho 5 machos castrados que vivem reforçando e disputando a domonância ambiental…no caso da estufa uirnaram nela por que passou a ser um objeto onde eles dormiam à volta, então, os dominantes, ou mais dominantes, urinavam para fixar bem, que ali ( eles percebiam que dela vinha o aconchego do calor) o “lugar” principal serim deles. Mais ou menos isso!

Bom saber do Amim! Um afago nele!

Grande abraço!

Dra. Synara



Sonia Olivieri
em

Dra. Synara, boa tarde!
Sou de SP, já estive em vários veterinários (inclusive dermatologistas), e não consigo resolver o problema do meu gatinho. Desde pequenino ele apresenta rachaduras e inchaços nas almofadas das patinhas dianteiras. Ninguém consegue detectar a causa (nem biópsia resolveu). Como a senhora é estudiosa, ocorreu-me que poderia me ajudar.
É um problema genético, realmente? Como amenizar?
Abraços,
Sonia


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