Este post foi escrito no dia 4 de março de 2010 na categoria Artigos. Você pode acompanhar os comentários sobre este post através de RSS 2.0 feed e deixar seus comentários preenchendo os campos abaixo.
Violência Canina – Legislativo em ação
Ao ler o Diário Catarinense do dia 02 de Março de 2010 me deparo com noticia que traz o titulo: ANIMAIS DE RUA. Essa matéria aborda como foco principal a medida tomada pelo Ministério Público de Santa Catarina que entrou com uma ação civil pública para exigir que a Prefeitura do municipio de Joinville acelere o processo de implantação de um centro de Bem Estar Animal. Isso se deve ao fato de maus tratos violentos que alguns cães sofreram nessa cidade. Em segundo plano está a noticia: ” CCJ ( Comissão de Constituição e Justiça) do Senado votará, em caráter terminativo, projeto de lei que obriga a castração da raça Pit Bull.” Além de proibir a procriação de Pit Bulls, a proposta elenca outras raças consideradas de alto potencial para risco de ataques à pessoas, entre elas são citadas: Fila Brasileiro, Mastif, Dobermann, Rotweiller, Pastor Alemão, Akita, Boxer , entre outras.
De todas as raças citadas uma delas, a meu ver, não necessitaria de ser incluida como potencialmente perigosa à ataques é a Boxer. Geralmente, são animais de fácil manejo e docilidade, embora seu porte grande. Espero que seja aprovada a votação e, mais que tudo, que se faça cumprir a lei. Não podemos negar que tais raças podem ser de dificil controle quando manifestam seus instintos de defesa. Esse dado é de suma importância: instinto de defesa, que nada mais é do que a expressão de dominância social de um cão; de qualquer um deles. Mesmo que eu tenha a opinião de que a raça Boxer não seja potencialmente feroz em estado de defesa social, onde estou me referindo, nesse caso, apenas às raças citadas na lista para serem obrigatoriamente castradas, com votação no Senado. No meu ponto de vista qualquer cão , seja de que raça for - até mesmo os denominados SRD ( sem raça definida) - pode oferecer periculosidade a um ser humano quando seus donos exageram na convivência estreita com esses animais.
Por total desconhecimento da natureza canina fazem desses animais objetos de afeto exacerbado, facilitando que os mesmos ganhem a hierarquia social no meio ambiente em que vivem, onde tais cães passam a manifestar total dominância na “ matilha humana”, pois pelo ponto de vista de um cão todo agrupamento social, seja de humanos ou de outras espécies animais com as quais convivem, representa o seu grupo social e por condição inerente a sua espécie vai sempre tentar disputar o papel do dominante. Isso é o que mais se vê nas relações das pessoas com seus cães de estimação: cão dominando gente. Portanto, morder ou atacar uma pessoa independe da raça e do porte de um cão. Evidente que existe certa predisposição genética para que um cão seja mais ou menos agressivo, mas com minha vasta convivência com esses animais e com seus donos por meio das minhas atividades clinicas, foi fácil perceber que esse fator genético terá peso se tal dono não tiver conhecimento de como relacionar-se de maneira coerente com uma espécie que é, verdadeiramente, diferente de nós em suas reações comportamentais. É importante salientar, também, que quanto maior o porte de um cão, maiores serão os danos fisicos que pode imprimir quando ataca uma pessoa; sua força , tamanho e destreza de bicho diminuem a possibilidade de quem esteja sendo atacado de reagir com a mesma força e medida, principalmente, crianças e idosos.
Somado a essa força, existem as chamadas leituras corporais que são capacidades de comunicação canina , ou seja, quando uma pessoa é atacada por um cão grande, tende, naturalmente , manisfestar medo e com isso correr, agitar braços e gritar, isso tudo diz ao cão que a presa está reagindo e lutando com ele, e esse cão somente irá parar a luta quando sua presa estiver imóvel. Ou morta.
Portanto, devemos pensar e repensar nossas relações socias com os cães, não somente com os “grandões assassinos” como são classificados alguns desses meros bichos. Meros, sim, por que cão é bicho, nada além disso, embora tenham historicamente o papel de benfeitores sociais ao homem, e isso não pode ser negado a eles. Quando falo em repensar o valor que damos aos animais de estimação aos dias de hoje é ofertar respeito ao que é natural de cada espécie; é fazer a proteção animal coerente com suas condições de seres irracionais, e não os colocando com o mesmo peso e medida que merece um ser humano, por exemplo.
A humanização dos animais é o que mais se percebe na nossa sociedade atual. E se pararem para pensar nessa relação equivocada, verão quem são os maiores responsáveis pelo abandono e descaso com os cães ( e gatos) , tanto quanto pelos ataques violentos induzidos pelo instinto desses animais: são os seres humanos doentes em suas emoções sentimentais fazendo de um mero bicho um “deus todo poderoso” capaz de trazer alivio para a solidão interna que assola a humanidade nesse século pautado pelo materialismo exagerado e pelo egoismo do ter tudo para si e nada para seu próximo.
Aqueles que trabalham com e para os animais de estimação, oferecendo seus serviços – que vai desde o Médico Veterinário, criadores de raças, até essas lojas que empurram vendas ( em grande parte sem sentido para um cão, mas com um forte peso para seus bolsos ) - terão que ser os primeiros a fazerem a “mea culpa” , quando não trabalharem com ética e respeito à natureza dos animais. A muitos destes, não convém alertar para um dono que um cão é um bicho e que morde se não for bem manejado; fazendo crer a essas pessoas que tais animais são “bebezinhos” que merecem colo e adereços.
Um cão é um bicho que pode morder! Ter essa consciência bem absorvida é o primeiro passo para que não precisemos de leis a reger uma relação interespécie. E “atire a primeira pedra” aquele que trata seu cão ( independente do porte e raça) como um “bebezinho indefeso” que precisa de colo e plena atenção e que nunca tenha sido mordido ou levado uma boa rosnada afastando esse dono, que se deixa iludir numa relação induzida pelos inúmeros apelos comerciais que gritam em alto e bom tom: Cão é tudo de bom! Será tudo de bom sim, se houver respeito às diferenças que distanciam um cão e um homem.
Tenho dois artigos postados no site onde relato mordeduras emitidas por cães considerados de pequeno porte, mas que causaram danos fisicos e emocionais para as pessoas. Uma delas, eu mesma; tem até a foto com a lesão, onde uma “pinscherzinha inofensiva” quase me arrancou o polegar. E outro, um Poodle que avançou sobre sua dona e rasgou seus braços. Se tiverem curiosidade , leiam os artigos; complementarão esse que hoje escrevo. Os titulos dos artigos são: “Um cão pode ser uma arma apontada para você! e ” Cão dilacera os braços da dona, e é um Poodle!!
Até o próximo artigo.


