“Pituca encontra um Lar” – Noticia no Diário Catarinense


                                artigo pro site Nov. 2009. 003                          Ao  ler a reportagem publicada ontem no jornal Diário Catarinense, me deparo mais uma vez com noticia sobre  adoção de cão  quando há certo impacto emocional por detrás dos fatos. Fiquei pensando sobre o tempo de luta que travei com a proteção animal em longo periodo da minha trajetória profissional, mais precisamente na cidade de Porto Alegre. Com essa defesa em prol dos cães e gatos, tanto arrumei belas amizades quanto me sobraram criticas pesadas ( muitas delas sem base nenhuma) pela maneira como levei –  e levo –  a proteção animal nos meus pontos de vista e, inclusive , nas minhas atitudes.

 Quem acompanha  meus artigos, quem leu meu livro, quem me ouviu em reportagens, quem acompanhou minhas participações no programa “Saúde Pet” no Canal Rural – da RBS;   sabe,  perfeitamente,  como encaro a proteção dos cães e gatos aos dias de hoje: sem romantismo, sem sentimentalismo e sem ilusão. Vejo –  e sinto –  a proteção animal como forma de trazer à tona o especismo. Respeito às espécies em essência. O resto é mero comércio, lucro farto ( desnecessário) e despreparo sobre a função real dos animais de companhia junto ao ser humano do  século XXI.

Tem cão no lugar do homem em demasia. Tem ser humano se apegando aos seus animais de estimação por fortes dificuldades sócio-sentimentais,  que vai desde a solidão ( não aquela necessária e saudável para  um encontro consigo mesmo, mas a doentia e cheia de amargura)  até projeções emocionais de cunho estritamente particular.

 Todo animal tem comportamento reativo a determinada situação emocional ( não sentimental) por que passa. Quando está ferido,  luta  –  por meio do seu instinto de sobrevivência – para manter sua vida,  imprimindo variadas maneiras de reações corporais e gestuais,   que,   em sua maioria,  são  expressões compativeis com nossas expressões quando estamos em desajuste sentimental ou emocional.  Isso acaba comovendo as pessoas,  pois há a projeção do sentir emocional do humano imposto sobre o cão ( ou gato). Muitas vezes,  um suposto “olhar triste”  nada mais é  que um “recolhimento” necessário ao seu restabelecimento. 

Pois,  a história da cadela Pituca se aloca nesse caso: comoção humana em demasia e equivocada. Até onde pude entender a história, a cachorra tinha uma dona responsável por ela, mas tal animal foi ferido com tiros provenientes das armas de agentes prisionais da Penitenciária de Alcântara,  ficando “agonizando” (??)  por toda uma madrugada. Foi socorrida e sobreviveu  aos disparos depois de receber atendimento Veterinário adequado a sua situação clinica.

Bastou a história “cair na boca da midia” como um todo e Pituca passa a ganhar holofotes nos noticiários. Noticias como essa da cadela Pituca é recorrente na midia:  cão que “salva” criança, cão que é salvo de rios, de escombros,  etc e etc.  Assim como  é recorrente a divulgação pela imprensa de ataques de cães contra pessoas.

 Sobre os cães não podemos colocar um pensamento cartesiano:  “  é do bem ou é do mal”.  Cão é bicho. Vive e reage como bicho. Sente dor, frio, medo, alegria, cansaço, sede, fome, etc. ,  nada diferente de um ser vertebrado e mamifero. Os animais irracionais são seres sensciente, sim.  Portanto, sentem dor e mordem. E essas duas dentre tantas caracteristicas comportamentais e  neurológicas não os diferenciam e classificam em seres” bonzinhos e sofredores”  ou “seres agressivos  que atacam pessoas” e  , sim,  em animais que vão reagir conforme o  meio ambiente social que é o que  causa o estimulo do viver;  da forma deles!

 Uns mordem e saem na midia como “demônios” devoradores de pessoas. Outros há,  que mordem seus próprios donos ( geralmente esses pobres cães miniaturizados pela mão ganaciosa do homem) e  a imprensa  não levanta  tal questão;  simplesmente , por que  não convém ao  dono,  e nem tão pouco à midia,   trazer essa estatistica que está ai para quem tiver “olhos de ver”.  E há aqueles cães que ganham esse olhar romantizado e sentimentalista sobre um fato corriqueiro -  em tese - por que  passa um cão.  Um mero cão a Pituca, mas agora, terá um “novo lar” , pois já tinha donos responsáveis por ela,  segundo a reportagem.

 Virou  “celebridade”,  foi disputada por mais de 200  pessoas de todo o Brasil – até a Hebe Camargo, queria a Pituca! Tudo isso que cito está escrito na reportagem. Vai para Ribeirão Preto a cadela Pituca! Tomara Deus, que a ação seja tão humana quanto a intenção das pessoas que a  adotaram. Rezo para que Pituca não seja mais um cão a frequentar “estéticas caninas”, a usar “coleiras de ouro”  e que não seja apenas um lenitivo para a solidão humana. Que viva como bicho e  que seja livre,  condição primeira do bem estar animal.  Queira Deus!

Na foto da reportagem o que vi foi um cão com olhar “confuso”,  sendo colocado em uma caixa de tranporte para animais,  embarcando em um vôo interestadual para seu novo ambiente. Nada me comoveu nessa reportagem. Será por motivo de banalização dos fatos que a mim não causou emoção a situação da adoção da Pituca ? Será por que já não acredito mais na proteção dos cães e gatos? Será que existe proteção animal para os cães e gatos aos dias de hoje?

Pituca  e sua história na midia  trouxeram  de volta uma preocupação genuina em mim: A verdadeira proteção animal será feita quando? Com que e em que bases será calcada? Achar lar e castrar animais é uma infima parte da condição problemática que se tornaram os cães e gatos como co- habitantes sociais do homem em evolução.  Eu e meus pensares…

Recado para a Hebe Camargo e para as outras pessoas que se  “habilitaram a adotar a Pituca” :  Se querem adotar cães e gatos tem um monte por este Brasil!! Apenas não tiveram espaço nos holofotes da midia. Mas precisam ser adotados e respeitados como bichos que são, essa é a condição.

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