Pólipo naso-faringeo em um felino


Vou fazer relato breve sobre um caso clínico-cirúrgico ocorrido na minha rotina de trabalho nesse mês de Junho.
Esses casos que serão relatados aqui no site têm como objetivo primeiro uma troca de informações com os colegas, assim como, para que os leigos possam ver como é o trabalho rotineiro de um Médico Veterinário que atua na clínica de cães e gatos.

PÓLIPO NASO-FARINGEO EM UM FELINO

Paciente : felino, fêmea, com 1 ano e 2 meses de idade, não castrada, mestiça da raça Siamesa.

Histórico: Dificuldade respiratória desde tenra idade oriunda de rinites recorrentes não responsivas a antibióticos e com discreta resposta a anti-inflamatório. Apresentava quadros de disfagia, mas que não a impediam de comer. Emagrecimento por alta demanda energética em exacerbado esforço dispnéico inspiratório por longo tempo, associado à períodos de intensa secreção mucóide nasal e faríngea , que a debilitavam. Nunca perdeu o apetite. Animal oriundo de ambiente em superpopulação de gatos. Nunca apresentou quadro febril e mesmo em face das dificuldades respiratórias não deixava de interagir com a proprietária, demonstrando disposição física.

Sintomas evidenciados quando na consulta: secreção mucóide de cor esverdeada, dispnéia inspiratória, mudança no tom da voz e agitação por manejo.

Procedimentos empregados: uso de anti-inflamatório acido-acetilsalicilico (dose única e respeitando rigorosamente o manejo desse medicamento para uso em gatos, que são espécie que apresentam peculiaridades na sua metabolização de drogas), nebulização com soro fisiológico, que permaneceu sendo feita 3 x ao dia e uma hidratação subcutânea no dia da consulta. Repouso em gaiola e observação para novos dados clínicos. Após 72 horas com esses procedimentos tomados começou a apresentar melhora significativa da dispnéia inspiratória, redução na produção e na consistência do muco secretado. Com o animal mais equilibrado em seus sintomas clínicos pude perceber que havia algo a mais obstruindo o canal nasal que não somente as secreções mucóides. Apresentava um movimento de deglutição quase que constante,com isso fui fazer uma inspeção do canal naso-faringeo, onde de imediato percebo elevação do palato mole e protusão de uma massa vindo da faringe, quase não tendo mais dúvidas que me encontrava frente a um quadro de pólipo naso –faringeo.

Depois de continuar por mais 48 horas com as nebulizações e e iniciar um tratamento com antibióticos a base de enroflaxacina decidi proceder na retirada cirúrgica do pólipo.

Procedimento feito juntamente com a Dra. Maria Cristina da Costa. A gatinha foi colocada em caixa saturada com fluoretano e oxigênio para depois ser entubada. Como a sonda não nos deu passagem pela via buco-traqueal pelo tamanho da massa ali presente, procedemos com uma traqueostomia para a colocação do tubo anestésico.

Cirurgicamente foi feita a tração do palato-mole no sentido rostral permitindo com isso uma boa visualização do pólipo e campo operatório. Pedículo foi apreendido e removido com a ajuda de uma pinça de Allis. Fechamento dos planos teciduais da traquéia e pescoço. Cirurgia foi um sucesso.

Paciente pós-cirurgia: Excelente recuperação, dispnéia inspiratória cedeu por completo, começou a se alimentar 24 horas depois com comida enlatada e em 48 horas com ração seca. Secreção nasal em franca diminuição e apenas serosa, não mais na forma de muco.
Em 7 dias total recuperação. Animal curado.

Sugiro aos colegas a leitura do livro da Dra. Heloisa Justen – “ Medicina e Cirurgia Felina” na página 395 onde terão elementos suficientes para estudar essa patologia dos felinos.

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3 Comentários


Pedro Cruz
em

Olá,

A inspeção do canal naso-faringeo foi feita directamente ou através de Raio-X.

Cumpts.
Pedro Cruz



synara
em

Ola Pedro! Foi feito direto com laringoscópio. Obrigada pela participação no site.
Abraço.
Synara Rillo
Médica Veterinária



Célia
em

Olá Synara.
Tenho um gatinho que desde muito cedo começou a tomar anibióticos para tratar de uma suposta coriza. Contudo de à 3 meses para cá não tem havido melhoras, espirra muito (até já espirrou sangue), tosse, tem sempre o nariz entupido principalmente a narina esquerda. Hoje fui com ele mais uma vez ao Vet, para o examinarem e para verificar se existe ou não algum pólipo naso-faringeo que esteja a causar toda esta situação. No entanto e devido ao cumprimento do palato-mole não foi possivel uma visualização a 100%. Contudo o Vet desconfia que se trate de um caso de coriza crónica. Verificaram que tem uma ruptura na membrana no timpano esquerdo e a narina esquerda encontra-se completamente entupida com “ranhoca” verde. Foi-lhe feita uma análise à ranhoca que detectou a presença de Pasteurella SPP. Já tomou Baytril, Ronaxan e neste momento está a fazer clavamox. Tenho-lhe feito vapores com Fluimucil 2x por dia, coloco-lhe soro nas narinas e gentocil nos olhos ( estes também estão afectados com conjuntivite). Daqui a 15 dias volto novamente ao Vet, pois este quer fazer análise às fezes do gatinho. Se percebi bem será para verificar se o gatinho tem parasitas nos pulmões. Não sei o que fazer mais… :(
Tenho uma gata adulta, vacinada, que até ao momento está saudável mas tenho algum receio que lhe possa transmitir a doença. Agradeço a sua opinião em relação a esta situação.

Cumprimentos,

CG


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