Tumor ovariano com hiperplasia cistica do endométrio em gata


imagem-019.jpgimagem-021.jpgimagem-018.jpgimagem-013.jpg Abra: ecografia-tumor-ovariano-vivi-gat a.htm

Essa situação clinica nessa minha paciente, que atendi há 3 semanas atrás, é uma das causas negativas ao bem viver dos animais quando não castrados. Se os animais não conseguem liberar seus instintos, forma pela qual melhor vivem em harmonia com suas naturezas, tendem a sofrerem de patologias variadas.

O instinto da reprodução reprimido nos animais, oportuniza com muita frequência, alterações nos órgãos da reprodução, assim como, permite comportamentos indesejáveis no convívio junto ao dono.

Para evitarmos isso tudo, castremos nossos animais de companhia o mais cedo permitido dentro da sua fisiologia-hormonal de espécie.

Estava em viagem quando desse fato clinico , palestrando e participando de Feira do Livro no interior do Rio Grande do Sul, sobre meu tema e livro ” Cães, Donos e Dores Humanas”. Recebo um mensagem de voz, no celular, de uma cliente de longa data, mas que eu não atendia seu gata a muito tempo. Já nem lembrava mais da minha paciente. Ao retornar a ligação que foi solicitada, falei com Angélica, a proprietária da gata, que estava muito apreensiva com o estado de saúde da Vivi, a gata. Que ela já havia procurado um outro Veterinário mas que a Vivi não estava respondendo ao tratamento baseado no diagnóstico dado pelo profissional. Conversamos, fiz algumas perguntas sobre o estado clinico da Vivi, pedi para ela ler um laudo ecográfico que tinha em mãos, e em principio por aqueles dados não me direcionava a pensar no que suspeitavam…Achei a situação, até , emergencial para conduta clinica em si, pelo desconforto que a gata manifestava pelo abdômem bem distendido, segundo relato da dona e laudo da ecografia.

Como dentro de 2 dias eu retornaria a Porto alegre Angélica achou por bem esperar, e deixamos agendada uma consulta para a Vivi.

Quando fui examinar a Vivi, era visível, e preocupante , a distensão abdominal dela. Fiz mais algumas perguntas, e obtive respostas: -”Baixo apetite, cansaço físico, dispnéia e pouco reativa ao ambiente e ao dono.

Sintomas evidentes do desconforto abdominal pela grande distensão e, possivelmente, uma situação de dor, também.

Ao ver a ecografia já feita, percebi as alterações que foram citadas pelo laudo do ecografista ( liquido livre na cavidade, gases intestinais e no estômago (..) tudo isso compatível com Peritonite Infecciosa Felina, segundo opinião dele, mas me chamou a atenção de uma imagem que ele não se referia… e ele também deixava bem claro a dificuldade de melhor definição dos órgão em virtude do liquido livre no abdômen ( ascite), o que de fato estava com essa característica de imagem ecográfica.

Falei para a Angélica que antes de eu solicitar outra ecografia, e ouvir a opinião de um outro colega sobre aquela imagem “estranha” que eu percebia na eco que tinha em mãos, iria submeter a Vivi a uma rápida punção abdominal para ver o aspecto do liquido ascítico; e esse liquido saiu sero sanguinolento e não me indicou as características do liquido ascitico encontrado quando estamos frente à Peritonite viral do gato (PIF).

Fiz mais perguntas sobre o comportamento da Vivi, como um todo, que ela me descrevesse melhor, ao me falar mais coisas, sobre o que havia observado na mudança de comportamento da gata. Num relance ela me conta : ” O que vi de diferente, mesmo, foi que a uns 30 dias atrás a Vivi entrou em um cio longo e muito “escandaloso”, vocalizou muito e manifestou todas as reações, posturais e comportamentais, ocorridas no período de cio de um jeito exacerbado, para o que era comum a ela sempre, quando, nesse estágio hormonal.

Fiquei muito surpresa de ela com 11 anos de idade e nunca ter sido castrada, não lembrava desses fatos todos pois atendi essa gata talvez quando ela tiinha uns 4 ou 5 anos para vacinações, essas coisas básicas, apenas. A qual incluí, o que sempre incluo nessas consultas e procedimentos básicos ao gatos, a orientação fundamental da castração do gato para ser um bom animal de companhia ao ser humano e depois nunca mais a atendi.

E fui a ter a surpresa de que a Angélica havia mantido a Vivi sem castrar, e sem oportunizar a liberação real e concreta desse instinto, que é a cópula com o macho e, por sua vez, a gestação.

Desse dado em mente, intuí um tumor ovariano ou alterações endometriais e pelo liquido peritonial ser sangue, pensei em quadro grave…

Efetuamos outra ecografia para melhor visualização do abdômen, pois através da punção diminuiu a quantidade do liquido livre na cavidade abdominal, e realmente o ecografista constata uma grande massa na região episgástrica, tapando o estômago, pâncreas e grande parte das alças intestinais, mas não conseguia definir que imagem era aquela; e deu como diagnóstico neoplasia abdominal.

De posse de mais esse dado decidi conjuntamente à Angélica e sua mãe, quem cuidava da Vivi, que deviamos submeter a gata delas a uma Laparatomia Exploratória para definir melhor que massa era aquela e sua origem; mas que eu não considerava maiores chances de sobrevida, frente ao estado inflamatório que se encontrava toda a cavidade peritonial. Mas que se fosse possivel fazer alguma correção após a inspeção, eu faria.

Ao abri-lá me deparo com muito liquido livre hemorrágico, ainda, na cavidade abdominal e ao colocar a mão em direção ao aumento de volume, comecei a puxar a massa toda e encontro uma grande aderência hiperplásica em volta do ovário esquerdo ( neoplásico), do estômago, do pâncreas, partes de alças intestinais e do rim esquerdo, tudo isso se formava a grande massa que visualizávamos na ecografia, e haviam inúmeras outras aderências em menor grau, mas com pequenas e múltiplas hemorragias, os ligamentos do útero bem hiperplasicos se espalharam pelos ligamentos da bexiga e se formou uma enorme “teia sangrante” ao redor de quase todos os órgãos, onde os mesmos já demonstravam alterações macroscópicas significativas. Ao ver tudo aquilo, me compadeci daquele bicho pela dor que devia sentir, mas que o estoicismo nato dos felinos oculta o grau de quantificação da dor deles…

Sem chances, liguei para a Angélica e relatei tudo que ocorria, tudo que vi, e que o prognóstico era totalmente desfavorável e que dentro de poucos dias a Vivi viria a sucumbir à forte resistência orgânica natural dos gatos.

Optamos pela eutanásia imediatamente. Cumpriu seu ciclo a Vivi. Angélica e sua mãe, em meio a dor, culpa ( pela não castração), saudade, apego, enfim, ao que é natural nas emoções sentimentais dos seres humanos quando da perda, como um todo. Que elas possam refletir e levar tudo isso como crescimento à ambas. E que a Vivi faça parte das boas lembranças, dentro de pouco tempo, e não mais dor no coração de vocês.

Vivi, fêma não castrada, felina, com 11 anos de idade; viveu sempre só como espécie em meio a uma familia humana com poucos membros para a socialização ambiental como um todo.

Diagnóstico pós -mortem: Neoplasia ovaraina com hiperplasica cistica em todos os ligamentos da cavidade abdominal, tendo situações de aderências extensa e graves com inúmeros pontos hemorrágicos, já trazendo comprometimento aos mecanismos fisiológicos de quase todas as vísceras abdominais.

Proprietárias não autorizaram custos histopatológicos do tumor ovariano, mas por visão macroscópica e pelos sintomas de hiperestrogenismo através da manifestação exacerbada de um cio, penso ser um adenoma ( benigno ) mas que causam tão intensa hiperplasia tendo como sitio o endométrio onde as graves complicações da aderência e suas reações inflamatória agudas e hemorrágicas encontradas no caso da Vivi – e comum de serem vistas como patologia do trato reprodutivo das gatas não castradas – não deram mais condições de corrigir cirurgicamente a neoplasia de possivel causa benigma.

Geralmente, quando não há autorização de custos com exames para confirmar ou definir de melhor forma as causas e suas consequências pelos proprietários; tendo a bancar tais custos como forma de aprendizado maior ( e em experiência própria) ; mas procuro fazer uma “seleção de importância” para a elucidação como um todo pois senão não teria recursos para dar continuidade aos meus estudos e dar vazão ao ser curioso que sou, por natureza.

Mas acredito ser válido mesmo assim – a experiência clinica sempre se fortalece, mesmo quando nos limitamos na pesquisa como um todo. E com esse caso clinico aqui contado, divido minhas experiências aqui com todos que agora me lêem.

Castração , já!

12 Comentários


Ella Freitas
em

Dr. Synara,
Tenho uma pinscher de 5 anos,cuja qual naõ foi castrada e nunca deixei cruzar,a primeira vez q ela viaja,achei que pela mudança climatica,ela adoeceu,foi diagnostiacada com pneumonia,entrentanto agora ela está em curitiba e levei para dá uma conferida no pulmão,eis que o médico leva para fazer ultrasonografia e detectou hiperplasia cistica.Fiquei meio desconfiada e resolvi pesquisar,gostaria de saber se no caso,tenho mesmo que castrar e se ela agora não pode ter uma gestação?!E queria saber os riscos da cirurgia e também sobre o pós operatório. muito grata.



synara
em

Ola! Se for hiperplasia cistica endometrial o tratamento de eleição é cirúrgico, sim! Não creio que haja possibilidade de gestação em casos assim. Os riscos cirúrgicos pré, trans e pós operatório vai depender do estado geral do animal,principalmente, a função renal. Ok?
Abraço.
Synara Rillo
Médica Veterinária



Roberta Martins
em

Dr. Synara,
Tenho uma gatinha que suponho ter no mínimo 10 anos (pode ter até 14). Ela era de uma vizinha que a abandonou com seus filhotes. Assim que veio morar comigo ela foi castrada (faz 7 anos). Nesses últimos meses surgiram carocinhos em suas maminhas, o veterinário ao fazer um exame decidiu apenas drenar o líquido e observar. Como os carocinhos voltaram procurei uma segunda opinião antes de retornar, mas essa outra veterinária disse que tumores evoluem muito devagar em animais velhos e também quer observar! Ela é realmente muito velhinha para se submeter a uma cirurgia? E os tumores realmente evoluem devagar em animais velhos?
Muito obrigada pela atenção!
Roberta



synara
em

Ola Roberta! Geralmente a espécie felina não porta tumor mamário, e sim mastose, que seria formação cistica, exatamente como descreves. É verdade, sim que os tumores mamários em animais velhos – até mesmo nos não tão velhos, evoluem lentamente. Se for o caso, vão drenando, e usem um antibiótico como prevenção à infecções que podem surgir pelas punções. Sorte ai!
Abraço fraterno
Synara Rillo
Médica Veterinária



Vanessa
em

Boa noite Dra Synara,
Tenho uma gatinha com quase 11 anos de idade, a quem foi detectado um tumor mamário benigno – segundo informação do veterinário – e o qual já foi retirado (há cerca de 3 semanas). A operação correu bem, tendo já a ferida quase cicatrizado. No entanto, a gatinha não tem tido muito apetite nos ultimos tempos, e mostra-se muito fraquinha, mas o mais preocupante, é q ela há cerca de 1 semana, q tem uma respiração muito ofegante, parece que lhe está a faltar o ar. Será da fraqueza, ou poderá o tumor ter passado para os pulmões?
Gostaria q me explicasse o q pode estar na origem destes sintomas.
Obrigada
Vanessa



vania
em

tenho uma gatinha com 7 meses +/- em 3 semanas cresceram-lhe carossos em todos os mamilos,mas em 2 deles evoluiram muito chegando ao tamanho de uma bola de ping pong!ela nao tem qualquer dor agindo naturalmente!o que será?obrigada



MARIELI BECKER
em

Olá Dr. Synara!
Tenho uma cadela vira-lata de sete ano, sempre vacinei para não entrar no “cio”. Ano passado, por discuido, não vacinei e ela crusou com um cão e teve seis cachorrinhos em fevereiro/08.
Este ano percebi que em um dos mamilos, em baixo da pele, formou umas bolinhas parecidas com o tumor da gatinha vivi.
Estou preocupada, será que é um tumor?
Quem eu devo procurar para me ajudar…
Agradeço sua compreenssão se puder me ajudar.



Leidiane
em

Ola boa noite! Eu tenho uma gata (Fiona) de 8 meses e a um mês as mamas dela tem crescido muito levei ela a um veterinário e ele me pediu pra fazer um tratamento durante 10 dias com os seqüentes remédios biofloxacin e maxicam plus0,5mg oq a senhora acha desse procedimento
q ele me indico? Tenho medo de q em 10 dias essas mamas vem a crescer tanto a ponto de vira feriadas e causa muita dor a ela



Benta
em

Olá tenho uma gatinha de 7 meses há 1 mes ela tomou uma enjeçao anticoncepcional,e agora ela está com os mamilos super grandes há uns 15 dias,o que devo fazer.



Arquelau
em

Olá tenho uma gatinha de 7 meses há 1 mes ela tomou uma enjeçao anticoncepcional,e agora ela está com os mamilos super grandes há uns 15 dias,o que devo fazer.?



Nidia Araujo - Cabo Verde
em

Ola Drª, este seu caso com a gata me fez lembrar de uma Dalmata que eu atendo e que ja tem 9 anos e nao é castrada, que sempre teve o seu cio regular, com pouco sangramento mas que agora ja vai fazer 3 semanas ou mais que veem sangrando sem parar e numa quantidade ligeiramente maior que a de um cio normal.
As vezes se fica muito tempo sentada, ao se levantar deixa um pequena posta de sangue no local onde estava.
O seu estado geral é normal apenar apresenta um inicio de uma otite em ambos os ouvidos o que pode justificar um leve aumento de temperatura em uma das consultas.
Será que é so o cio dela que esta desbalanceado com a idade ou ela pode estar com algum tumos a nivel dos orgaos reprodutores. Gostaria que me desse uma luz por favor. Obrigado



Synara
em

Oi Nidia. Se tem essa metrorragia o que menos importa é tu saber a causa. Vais ter que castrar. Com esse procedimento tu chega na causa e na cura. Acho que pode ser algum tumor cistitico, sim. Castra, que dá tudo certo.
Abraço colega!
Synara Rillo
Médica Veterinária


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