Morre criança e matam o cão. E agora??


Imagens para o site - 2012 001 Mais uma noticia, entre inúmeras já publicadas, sobre um cão que ataca e mata uma criança. Li a noticia, pensei, senti, raciocinei e continuo dizendo: “Um cão pode ser uma arma apontada para você!” Tenho até um artigo no item noticia do meu site que intitulei com essa frase. Acessem e leiam. Sempre que vou buscar algum assunto para o meu site, penso que estou me repetindo sem parar desde que montei esse espaço virtual para divulgar minhas ideias. Eu mesma canso de escrever sobre o mesmo mote. Mas entendo ser necessário bater na mesma tecla, já que nada muda. Parece, apenas parece, aos nossos olhos que as pessoas mudam, que a sociedade muda. Pura ilusão.

O que muda e avança são os aparatos tecnológicos que nos servem de suporte para uma evolução social, mas nossos comportamentos humanos e sociais não avançam, se arrastam, isso sim, na angústia coletiva dessa aceleração que a vida tem produzido em todos nós. Nos agarramos a tudo que nos acalente um pouco a alma e sossegue nosso corpo: um uisquinho para relaxar e desapertar o nó da gravata – ou da garganta, o cigarrinho legal ou ilegal por onde a fumaça expelida carrega nossas anisedades, a cervejinha com amigos, o porre amargo e solitário, o litro de coca-cola, o x-burguer com bacon que nos dilata o estômago e nos acomoda no sofá, as redes socias e suas fantasias implicitas, o livro santo que nos faz rezar sem ajoelhar por meio de religiões que prometem tudo, o video-game que agita nosso cérebro esquecendo da mente que precisa pensar, sentir e amar. É assim que a humanidade tem se mostrado aos nossos dias, é assim que o homem dito social e produtivo vive. Produz para se matar.

E quando elevaram os animais de companhia como co-habitantes dessa sociedade, esqueceram de que eles nao conseguem lançar mão de todos esses artificios que usamos nós para alivio das tensões. E eles vivem tensos, tanto ou mais do que nós, em um mundo sensorial que não é da natureza deles. Possivelmente, vivam mais tensos do que qualquer ser humano na atual conjuntura.

Bicho é puro instinto, nem um ato seu é virtuoso ou com senso de responsabilidade, embora estão querendo dar esse alcançe a eles. Se são movidos e motivados por atos que provém da base comportamental instintiva precisam de uma liberdade que condiza com isso, pois só assim encontrarão o equilibrio de animal. Mas se o colocarmos como mais um aparato para amortecer nossas dores emocionais ou para aquecer nosso mundo comercial, ficarão cada dia mais tensos e ferozes. Ou cada dia mais tensos e submissos ao homem pernicioso que os sufoca e prende.

Quem é o cão? Onde está a criança? Quem é o filho? Quem precisa mais de atenção? E de educação? E de adestramento? E de ressocializaçao, quem precisa mais? O ser humano que se perde na vida ou o cão que age sob estresse comportamental? Essa misturada de bicho com gente é que está desestruturando as emoções caninas e provocando mortes desnecessárias. Morreu uma criança pelo dentes sanguinários e carnivoros de um cão. Foi executado um cão pelos atos indiretos de uma sociedade que não o entende e respeita. O que se passa pela cabeça de um cão? Você sabe? Já parou para pensar? Será que ele quer ser amarrado num fundo de pátio? Será que ele quer ser chamado de filho, banhado, perfumado e dormir na cama do dono? Será que ele não gosta de criança? Ou será que gosta?

Os cães são passiveis de serem bem compreendidos por todos nós, são de fácil leitura comportamental e social, vivem linearmente perante a vida. Quem vive em meio a curvas, aclives, declives e derrapagens somos nós, esses bichos carentes e ao mesmo tempo gananciosos chamados de gente.

Descanse em paz, Gustavo Luís Gomes de Souza, e perdoe essa fera canina moldada pela tua própria sociedade e espécie.

Até a próxima noticia!

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