Manejo alimentar – a importância dele na vida do cão e gato – Parte IV


dsc00603.JPG Dando continuidade aos artigos dos manejos alimentares básicos ( variáveis apenas em função de uma personalização ambiental e de proprietário), nesse último artigo vou falar do gato e dos petiscos alimentares no dia à dia do cão.

Nos artigos anteriores, creio, ter sido clara o suficiente para ajudá-los a pensar e repensar a forma como lidam nos manejos alimentares com seus animais de companhia, e a adquirirem rações pelas qualidades nutricionais delas e não pelo seu glamour, tanto do pacote, quanto do glamour nutricional que também há, não vamos negar isso.

Pela especificidade da espécie vou falar do manejo alimentar com os gatos; e, também, de como usar os petiscos em cães para apenas reforçar reações comportamentais de obediência e com possibilidade de ser uma forma de artificio para colocar o medicamento quando seu cão precisar. Vermifugos eles devem tomar de épocas em épocas, então é uma boa forma de usar o petisco como “cápsula” do comprimido que contém o vermicida.

Quanto ao manejo alimentar do gato domesticado que vive bem próximo ao ser humano e com maior confinamento em comparação ao cão, é simples porque ele é bem carnivoro e seletivo, sendo bem menos afoito à alimentação do dono.

O paladar de um gato tem um refinamento, uma sutileza, que o faz ser menos reativo ao alimento do dono, manifestando mais uma curiosidade olfativa do que a voracidade do comer.

Os gatos, diferentes dos cães, onde já expliquei sobre eles nos artigos anteriores, não sentem atração por alimentos doces ou glicosados, isso acontece, simplesmente , por que são carnivoros por essência de espécie. Muito deles reagem orgânicamente ao consumo do açúcar não o digerindo bem; por esse fato é que os alguns gatos tendem a terem diarréia ao ingerirem leite, por que não digerem a lactose do leite, que é um açúcar. Os gatos não têm receptores sensitivos nos bulbos gustativos para os gostos adocicados como os cães possuem.

Outro fato bem interessante neles é manifestarem uma atração por cheiros e gosto bem diferentes e “excêntricos” em alguns alimentos ou ervas, mas isso é bem particular no gato que vive confinado junto ao dono e quais são às oportunidades de excentricidades olfativas que seu gato irá reagir.

Já vi gato se sentir atraido por cheiro de cloro, e se esfregar no chão como querendo se esbaltar naquele cheiro que lhe trazia sensações relaxantes. Com outros produtos também já presenciei.

Um exemplo: meu gato Nicolau Antônio, hoje com 15 anos, desde bem jovem, adora azeitonas e antes de comê-las se esfrega nelas, rola, como que em estado de puro prazer e contentamento.

Quanto à ração para gatos, para comprarmos uma alimentação de boa qualidade, é simples, devemos sempre ler os ingredientes nessa ordem de qualidade nutricional: Carne ( que pode ser farelo de frango e carne), alguns cereais ( poucos) gordura animal, um azeite de pescado, pó de ovo (que é uma proteina de alto valor biológico ) e ser enriquecida com alguns aminoácidos essenciais ao gato como a taurina, L-lisina, e vitaminas ( a A é importante) e que contenha o aminoácido D- metionina que vai ajudar a acidificar a urina do gato evitando a presença de cálculos vesicais que essa espécie é sujeita , e de preferência que a ração para gatos não contenha magnésio, por ser ele um componente da estruvita um mineral que pode tomar a forma de cálculos urinários.

Que contenha fibras, sais minerias e um bom equilibrio no Ca e fósforo, pois os gatos são sujeitos a patologias osséas metabólicas.

Com uma ração com essas caracteristicas creio que um gato pode ser bem alimentado.

Diferente do cão, o gato domesticado deve comer várias vezes ao dia, devendo o dono deixar porções no prato para que ele vá se alimentando bem aos poucos; geralmente, se fossemos falar em refeições, eles comem de 2 até 6 por dia; mas isso é relativo, porque os gatos podem ir até ao prato e “petiscarem” a ração até 20 vezes ao dia, transformando isso nas suas 2 ou 6 refeições diárias. Evidente que essa dinâmica de quantas vezes por dia vai ao prato, e se alimenta, envolve, também, os condiconamentos empregados pelo ambiente e pelo dono.

Em tese, podemos dizer que o gato domesticado confinado junto ao dono, pode, também, comer apenas 2 vezes ao dia, entrando essa rotina alimentar ao gato, e como ele é bem rotineiro para comer, é bem fácil de condicionar à horários.

Acontece que por ser uma espécie susceptível de desenvolver uma Sindrome Urológica que envolve desde cistite inflamatórias por estresse, até a formação de cálculos e tampões mucosos urinarios que podem obstruir a uretra , e sabendo que o controle de um ph urinário, deixando-o mais ácido, em média ideal de 5 à 6 ( o ph fisiológico do gato pode ir de 5 até 8,5) tem a ver com o processo digestivo é o que explica o por que de ser conveniente o gato comer várias vezes ao dia, petiscando o alimento, vindo com isso dar proteção ao organismo para que não desenvolva ou manifeste um dia essa Sindrome. E é oportunizando a permanência de um ph mais ácido ou mais fisiológico que há a necessidade de fracionarmos em várias vezes ao dia a ração do nosso gato.

Quando os gatos comem, começa um processo metabólico de alcalinização da urina, aumentando o ph , o que denomina-se de onda alcalina, onde seu pico será 2 à 6 horas após a ingesta . O máximo da alcalinização ocorre 4 horas após a o gato ter comido a ração , e é nesse pico de ph alcalino que existe a predisposição para que se formem cristais de estruvita, que pode ser prejudicial ao trato uirnário do gato.

Se a amplitude dessa onda alcalina puder ser alterada, fazendo com que ela diminua, isso trará mais saúde ao trato urinário; e isso a gente pode induzir, essa fisiologia do ph, essa flutuação da onda alcalina, fazendo com que o gato coma em intervalos menores e com mais frequência, com isso mantendo o ph em uma faixa bem fisiológica nem ácida demais nem alcalina demais.

Mas tenham cuidado em saber observar a quantidade de ração que está indo nesse fracionamento diário, e tentar manejá-la conforme o peso do gato. Hoje os gatos que vivem em apartamentos, com baixa atividade e castrados como são ( e, indiscutivelmente, têm que ser castrados para viver junto ao ser humano) tendem a ganhos de peso. Se você percebeu que seu gato está ganhando peso, diminua imediatamente a quantidade e tente aumentar sua atividade fisica, brincando mais com ele com estimulos de gastos de energia.

Importantissimo no manejo do alimentar um gato é deixarmos água fresca sempre à vontade, renovar a água, se possivel, várias vezes ao dia.

Pode-se também fazer agrados com as rações úmidas ou com carne fresca 3 x por semana, para aumentar a ingestão indireta de água através desses tipo de alimento.

De resto, como já disse, há glamour demais na rações para gatos e , inclusive, mais do que nas para cães. Talvez se explique pela associação que fazem da palavra e expressão: ” – Os gatos são mais “sensiveis”!

Eles não são mais sensiveis, eles são mais independentes, que são coisas bem diferentes; e o confinamento junto ao dono os estão deixando a cada dia mais solitários e rotineiros, e qualquer mudança no ambiente de um gato que vive só, junto ao (s) proprietário(s), acarreta situações agudas de estresse, muitas vezes os desestruturando-os organicamente, levando-os a manisfestarem doenças as quais são suscetiveis por espécie.

Os gatos adoecem muito pelo estresse.

No manejo e na alimentação básica dos gatos que nos servem como animais de companhia, é isso que abordei; não creio haver maiores detalhes.

Vamos ao último ponto dos artigos manejos alimentares, que são o uso dos petiscos como compensadores de comportamentos desejáveis para uma boa obediência e submissão ao dono, principios básicos para o respeito inter espécie, que dividem espaços, mas que agem e reagem junto a esse ambiente muito diferente um do outro.

Cão e dono não são semelhantes. Trazem como fator de elo relacional a caracteristica interespécie de socialidade e a domesticação do cão. Mas são bem diferentes entre si.

O dono pensa, raciociona, sente por via sentimental, tem uma dimensão de espécie profundamente especial e muito à frente do cão.

Mas ambos possuem inteligência, cão e dono. Só que a inteligência no cão não o faz ter pensamento cognitivo e lógico. Mas a inteligência no homem o faz ter essas caracteristicas como parte dela.

Eu diria que os cães prestam a atenção ao dono usando as suas inteligências caninas, e quando ficam tão atentos ao dono não é por devoção e amor, estão bem longe disso, mas para poderem fazer todas as leituras faciais, vocais e corporais que emitimos no dia à dia de uma convivência quase mútua.

E com essa capacidade intelectual de ler sinais corporais os tornam muito fáceis e suscpetiveis de condicionamentos. Portanto, cabe a nós mostrar a eles como é possivel uma co-relação de cada uma na sua e cada um com suas capacidades, redundando na harmonia relacional inter-espécie.

Então, se possuimos capacidade de condicionar nossos cães vamos fazer dos petiscos estimulos para obediência básica, os que sejam os mais naturais possiveis ao que é instintivo da alimentação de um cão, portanto, produtos cárneos crus ou pré-cozidos. Eu prefiro usar com meus cães e pacientes esses tipos de petiscos, e lanço muito mão da salsicha, em pequenso pedaços.

Acho que a principal obediência que os cães do século XXI, urbanizados, devem aprender é atender ao chamado do dono, em imediato!

Isso dá condições aos proprietários de, realmente, terem o controle sobre seus cães, inibindo com esse “condicionamento de obediência ao chamado”, inúmeras situações de atos caninos não desejáveis em determinado contexto, exatamente pela grau de urbanidade e de “misturada social canina x ser humano” que vivemos aos dias de hoje, agindo como um dono bem civilizado, que respeita o espaço do outro.Seu cão não é um ser civilizado, portanto, precisa ser controlado; e esse controle vem dos condicionamentos empregados.

Eu não sou a favor dos petiscos industrializados para cães (petiscar é caracteristica humana).

Vejam bem, é minha opinião, outros tantos acreditam que eles são benéficos e cada um pensa conforme experencia a vida.

Não simpatizo com os tais petiscos animais, por que que grande parte deles são feitos com materiais que mesmo sendo de origem animal, como os ossinhos de couro, passam por um processo de industrialização que acabam sendo mais prejudiciais do que saudáveis.

Mas o mais significativo para mim nesses petiscos industrializados é que hoje eles se tornaram suposto objetos de distração canina que sofre de ansiedade por baixa interação social.

Os donos oferecem petiscos aos seus cães por que os humanizam, o tal chocolate para cão, me digam, que sentido tem em dar a um cão?

E oferecem os tais petiscos também, porque acham que enchendo eles de ossinhos , palitinhos, coxinhas, bifinhos etc, (grande parte deles cheios de corantes provocando muita alergia nos animais), irão compensar a solidão do seu cão trancafiado entre 4 paredes.

E as consequências disso tudo eu já abordei nos outros artigos sobre manejo alimentar.

Quer ter seu cão ao seu primeiro chamado: treine-o chamando em várias situações ambientais e interações sociais; assim q ele responder, dê um pedaço de carne e afaga sua cabeça.

Se ele tiver deitado quieto, dormindo até, treine-o chamando, se ele vier, recompense com a carne.

Se ele estiver metido em uma situação de conflito social canino, imediatamente, o chame com tom de voz mais firme, se ele vier, dê a carne e afague sua cabeça.

Como fazer, quantas vezes por dia, ai é com vocês, donos e cão. Isso é só uma dica. Condicionar um cão é bem fácil. Só temos que saber que eles são bem diferentes de nós e que devem ser submissos em classificação de hierarquia social.

E que cão bem condiconado é menos ansioso e, portanto, menos chato no convivio social urbano.

Hoje há condicionamentos excelentes baseados na personalização ambiental e de dono, que educam os cães a serem menos ansiosos.

Acho que era isso que tinha a abordar sobre os manejos alimentares dos cães e gatos.

Sempre vou dizer: Os animais são simples! A humanização imposta a eles é que os tornam seres complexos e cheios de exigências, e eles sem terem a minima consciência disso, permanecem sendo apenas animais.

2 Comentários


vera
em

No comentário sobre o cloro como “estimulante dos gatos”, tenho uma gata mestiça de angorá que rola no chão limpo com cloro e lambe…uma loucura!!adooooora quando vou desinfectar o chão sujo com algo com cloro.
Vera



Mônica
em

Meu gato Sagrado da Birmânia de apenas 1 ano e 4 meses sofreu obstrução uretral com cristais de extruvita. Teve de ficar internado e foi feita a retirada dos cristais manualmente através de seringa contendo soro fisiológico e depois colocada uma sonda. Ele é um gato bem grande,(característica da raça), pesa 5,5kg. O veterinário passou para ele comer Royal Canin urinary S/O (70g. diárias). como meu gato está acostumado a comer maior quantidade e mais vezes por dia, estou tendo muita dificuldade de alimentá-lo, pois ele fica miando sem cessar, e ele nem é de miar muito. Como ele ficou 4 dias internado só tomando soro, sem comer nada sólido, parece que ele está faminto. Quero fazer o que é melhor para a saúde do meu gatinho e não quero ir contra as recomendações do vet.pois sei que meu pet está acima do peso e precisa emagrecer, mas será que ele tem realmente que passar fome? Como´posso administrar melhor a ração dele? Tenho dado a Royal Canin seca 70g. dividindo em 4 porções diárias, mas ele fica querendo mais.
Desde já agradeço a atenção.


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