Arquivos de setembro de 2009



Regressar é retomar caminhos ou pontos que pautam toda uma vida. Faço – ainda quieta – um breve retorno aos meus artigos e afins do site. Encontro-me em estado de redefinições para esse novo rumo que busco na vida, associado a minha profissão de Médica Veterinára; e isso requer muito o sentir. Sentir mais do que pensar. Fluir.
Uma boa maneira de deixar que a intuição se manifeste mais soberana que a nossa mente racionalizada, onde, muitas vezes, permanece acorrentada à padrões comportamentais ligados tanto ao intimo de cada um, quanto à imposição social; podendo soar castradora demais à liberdade de um ser humano como espécie e como cidadão integrado com seu potencial ético ao meio social.
Por algumas andanças em descobertas do meu novo território – uma pequena comunidade de pescadores e, já também, ponto turisco – caminho por vales, beira de mar, mato, morros. Pouco há de urbanidade no significado de “cidade grande” ou metrópole, a vida aqui, na praia onde hoje vivo, corre mais mansa. Em tudo. Podemos perceber que o tempo não “corre” quando estamos sem as constantes pressões do cumprir metas, obrigações e prazos. E se trabalha aqui, mas sem muita pressa.
Há todo um ciclo da natureza que acaba penetrando pela nossa pele e que, inevitavelmente, muda nosso ritmo biológico. Ficamos mais pacificos, ao natural. Se há o apaziguamento que vem de dentro do coração de um ser humano, tendemos a usar mais o sentir do que o racionalizar. No homem esse sentir que escorre leve denomina-se intuição, sentido esse que advém do nosso inconsciente milenar.
Captamos esse conhecimento instrinsico por todos os canais que somos dotados como espécie, inclusive por olfato, visão, audição, etc. – os 5 sentidos todos.
Intuição é uma forma de sentimento. Seria a evolução do estado animal – que somos, também – ou seja, a passagem do instinto para algo mais sutil, etéreo ( não palpável) que é o processo intuitivo e que faz parte do universo emocional dos seres humanos. Dos bichos, não. Eles são instintos puros. São fortemente emocionais; reativos.
Os instintos nos animais irracionais são a força geradora da ação inteligente neles. Alguns por evolução biológica – especismo – têm uma discretissima manifestação cognitiva para o aprendizado, como os cães, os gatos, os golfihos e outros.
Pois tenho visto muito essa força geradora da inteligência nos animais. Aqui os bichos vivem em livre ( ou quase livre) comunhão com a natureza. São belos, serenos, puros em essência, se harmonizam e agem como animais sem serem agressivos, salvo em casos raros de auto-defesa.
Assim está sendo meu olhar sobre os bichos da praia onde hoje vivo.
Vejo solenes garças, quero-queros em longos piados por defesa de seu espaço territorial, vi um golfinho em peraltices com dois meninos que estavam num barco à remo, vejo as gaivotas a espera do alimento voando baixo sob minha cabeça, vejo boi e cavalos, pastando e ruminando no acalanto do momento presente – o existir e estar integrado à mãe natureza.
Tenho asistido a lindos bailados de Urubus – pássaro negro que limpa o ambiente, apenas isso – que voam alto para depois descer plainando, olhos aguçados nos restos de carcaça de peixes.
E vejo – e observo – grupos sociais caninos em cadência de matilha. Lindo de se ver. Cão sendo cão. Assim como, vejo cão preso em corrente junto a uma casinha de madeira, sendo totalmente guardião daquele território onde há a presença humana e sua casa.
Mas os cães da praia onde hoje vivo são simples sendo bichos que são. Isso me serena o coração – depois de 20 anos lutando contra a não humanização dos animais de companhia – ver essa expressiva caracteristica instintiva neles sendo emanada de forma mais autêntica e com isso mais preservadora do que são em essência de espécie.
Eu, envolta nesse processo de rever e reciclar meu viver percebo que a autenticidade – ser o que somos por essência divida – é ação curadora para a alma humana. Para isso, vamos abrir nossa mente para o conhecimento do que nos cerca para sermos seres produtivos ( não necessariamente visando o material, apenas) e para sermos seres em processo de evolução individual e coletiva. A intuição tem me ajudado um bocado nessa fase.
Queridos amigos do site, estou aos poucos retornando a atividade dessa proposta que tenho com esse espaço de midia. Muitos comentários recebidos e com isso estou aprovando em “lotes”, não sei se conseguirei responder ao que ficou acumulado; mas aos poucos estarei de volta respondendo comentários, disponibilizando consultorias para donos de cães e gatos ou para colegas que queiram discutir casos clinicos; e escrevendo meus artigos, postando casos clinicos vivenciados por mim , causos, etc.
Tenho nesses meses pela frente outros projetos assumidos ( terminar meu segundo livro, por exemplo) que preciso encerrrar. Mas vou indo, sem pressa, mas com olhos agudos de quem quer ser útil a si mesmo e ao todo. Por isso hoje, na praia onde vivo, minha intuição, meu guia. E muito trabalho pela frente.
Até breve, aqui nesse espaço.

